Afinal, precisamos de um Dia Internacional da Mulher?

 


Precisamos acabar com o Dia Internacional da Mulher.

Como é que, em 2021, ainda precisamos de um dia para motivar a luta pelos direitos das mulheres? É absurdo que razões para que o Dia Internacional da Mulher exista estejam tão presentes na nossa sociedade em pleno século XXI!

É absurdo que mulheres ganhem menos do que homens, ocupem menos posições de liderança e demorem muito mais – e precisem alcançar muito mais – para evoluir nas suas carreiras.

É um absurdo que elas tenham que viver uma dupla jornada.

É ainda mais absurdo que elas tenham dificuldade de acesso à educação e direito sobre seus corpos e sobre os seus destinos.

Por isso, precisamos acabar com essa data. E a melhor maneira de fazer isso é as que as razões para que ela exista deixem de estar presentes.

É torná-la obsoleta.

Isso já está acontecendo: mundo está mudando, mas não rápido o suficiente. Só para se ter uma ideia, segundo a Goldman Sachs, no ritmo atual vamos precisar de 100 anos para que os salários das mulheres se equiparem aos dos homens.

Não temos todo esse tempo.

E, para o Dia Internacional das Mulheres ficar obsoleto, precisamos ir muito além da desigualdade salarial. É preciso endereçar a igualdade de oportunidades, o acesso à educação... É preciso promover uma transformação da profunda da nossa mentalidade - e rápido!

Precisamos urgente de mais Luizas Trajano, Sheryls Sandberg, Angelas Merkel, Jacindas Ardern, Gretas Thunberg e Malalas.

Vivemos um momento em que as mudanças tecnológicas, como a inteligência artificial, realidade virtual e aumentada, a conectividade cada vez mais disponível e o acesso à cada vez mais democratizado à informação estão acelerando exponencialmente as mudanças na nossa sociedade, tornando-a quase irreconhecível.

Algumas previsões mostram que os próximos vinte anos vão trazer mais mudanças para a nossa sociedade do que os últimos 2000 anos de história humana. Temos uma chance única aproveitar esse período extraordinário de transformações iniciadas pela tecnologia e expandi-las para o nosso comportamento, para as nossas atitudes.

Com uma oportunidade como essa nas nossas mãos, que tipo de mundo vamos criar?

A parte mais importante da missão de futuristas como eu, mais do que fazer previsões sobre o que vai acontecer, é de ajudar a desenhar futuros desejáveis e definir as ações que vão transformá-los em realidade. E existe algo mais desejável do que um mundo onde o Dia Internacional da Mulher se torne obsoleto porque os desafios que levaram à sua criação foram solucionados?

Mas a tarefa de fazer com que essa visão se torne realidade está nas mãos de mulheres, homens, organizações e governos. Está nas mãos de todos nós.

Só assim o Dia Internacional da Mulher vai deixar de ser um alerta para os desafios que temos que enfrentar e se transformar em uma celebração de uma luta da qual saímos todos vitoriosos.

Que esse dia chegue logo!


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